SE DER CARTELA CHEIA, GRITA BINGO!

by - setembro 24, 2017


E eu estava lá, na estréia, sentindo todo aquele saudosismo inerente ao filme como alguém que nasceu nos anos 1990 poderia sentir. Depois deste dia, quem convive comigo sabe que sigo firme e forte na minha missão pessoal de divulgar e enaltecer Daniel Rezende e o seu filme, Bingo: O Rei das Manhãs. Desde a sua estreia tenho tuitado minha opinião sobre o filme, publicado fotos e mais fotos no Insta stories, solicitado gentilmente que os amigos se deslocassem até o cinema mais próximo para prestigiar o filme. Até presenteei um casal de amigos com um par de ingressos para irem ao cinema e fiz exatamente o mesmo. Todo esse esforço e paixão resultou em o próprio Rezende me notando e repostando uma de minhas fotos em seu Stories, além de um grito de alegria quando recebi a notícia de que nosso querido palhaço fora escolhido para nos representar na corrida Oscar 2018.

A notícia foi dada pela Academia Brasileira de Cinema nesta sexta-feira, 15 de setembro. Bingo, injustiçado pelo público, foi reconhecido pela Academia depois de disputar a vaga com mais de 20 outros filmes, entre eles Como Nossos Pais (Laís Bodanzky); O Filme da Minha Vida (Selton Mello); Divinas Divas (Leandra Leal - também presente em Bingo) e até Polícia Federal: A Lei é para Todos (Marcelo Antunez).

O Brasil tem um certa história com o Oscar. No total foram 7 indicações para produções 100% nacionais e 10 indicações para co-produções nacionais. Entre elas estão as indicações de Melhor Direção para Fernando Meirelles por Cidade de Deus (2002); Melhor Filme Estrangeiro para Central do Brasil (1998) e também o mais recente O Menino e o Mundo (2016) de Ale Abreu que concorreu como Melhor Filme de Animação.

Entre injustiças e reconhecimento, o Oscar segue sendo uma premiação cinematográfica de prestígio e notoriedade com grandes benefícios para aqueles levam uma estatueta para casa. E Bingo apresenta chances reais (se for escolhido) do famoso "agora vai".

E aqui estão cinco motivos para acreditar que Bingo: O Rei das Manhãs foi a melhor escolha de representante do Brasil no Oscar.

5 - ÓTIMAS ATUAÇÕES
Vladmir Brichta está sensacional como Bingo. É quase possível tocar todos os excessos da personagem, que sente tudo muito o tempo todo e nos faz perguntar, porque Daniel Rezende pensou em Wagner Moura para o papel. Leandra Leal, que já provou por A+B ser uma excelente atriz, interpreta a produtora Lúcia, que poderia ter sido facilmente objetificada e reduzida a prêmio de redenção para Bingo ao final, mas sua presença, força e determinação foram bem demarcados pela construção de personagem e talento de Leandra. Sem mencionar a bela homenagem que o filme faz a Domingos Montagner, que aparece como palhaço de circo, sua vocação na vida real.

4 - DIREÇÃO IMPECÁVEL
As escolhas estéticas de Rezende funcionam perfeitamente para criar toda a atmosfera oitentista. Cores saturadas e carregadas remetem à época dos exageros. A direção, não só traduz, como dá corpo à um roteiro que é bastante simples. Com escolhas certeiras, Rezende traz emoção junto à uma direção autoral e comercial e vendável ao mesmo tempo.

3 - LINGUAGEM UNIVERSAL

Bingo foi inspirado na historia de Arlindo Barreto, um dos interpretes do Bozo brasileiro na década de 1980 comprado pelo SBT. Originalmente americano, o Circo do Bozo (nome lá nos EUA) fez parte da infância de crianças mexicanas, italianas, australianas e várias outras ao redor do mundo. O longa trata da objetificação da personalidade por trás da personagem, transformando o ator por trás da maquiagem em um objeto descartável, uma propriedade da indústria. Além disso, sentimentos universais estão ali representados, medos, inseguranças, egos e excessos. Nada exclusivamente brasileiro que não possa ser compreendido pelos votantes da Academia.

2 - DANIEL REZENDE
Um grande trunfo para o Brasil e Bingo na disputa pela estatueta. O Oscar é como um clubinho fechado, não basta fazer campanha, ter contatos também é importante. Até porque quem vota não vai assistir a TODOS OS FILMES QUE SÃO INDICADOS em TODAS as categorias. Então não ser desconhecido, já é um passo à frente. E Daniel Rezende é esse cara. Já esteve presente no Oscar, indicado por Melhor Edição com Cidade de Deus (2002) e ganhou um BAFTA pelo mesmo. Sem contar que Rezende editou RobCop (2013), 360 (2011), Árvore da Vida (2011), Ensaio sobre a cegueira (2008) e muitos outros.

1 - CULTURA POP BRASILEIRA
Este talvez seja o melhor motivo para Bingo ter sido uma escolha acertada de representação. Poucos são os produtos audiovisuais brasileiros que de fato exploram a nossa cultura pop e Bingo faz isso muito bem. A TV aberta brasileira fez parte do nosso rico e esquisito patrimônio cultural. Ela é faz parte da nossa história. História cheia de censura e que quando teve uma brecha de liberdade, ultrapassou qualquer limite moral. Em uma das falas de Bingo no longa é que "O Brasil não é para iniciantes". E não é mesmo! Mostrar nossa cultura pop - colorida, ácida, erótica e sem pudor - deveria ser algo aplaudido de pé.

Poderia continuar por páginas e páginas defendendo o ótimo trabalho de Rezende e toda sua equipe e produção. Mas no momento me contento com o reconhecimento nacional (e espero que internacional) de um filme que já nasceu histórico.






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