Carol Ex Machina

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Já ouviram falar da série "The Get Down"? Não? Então senta aqui que eu vou te contar.

"The Get Down" é uma série originalmente produzida pela Netflix, que conta a história do surgimento do hip-hop na comunidade negra americana em meados dos anos 80. Poderia ser apenas uma série sobre música? Sim, poderia, mas felizmente não é o que temos. Composta de um elenco em que os atores principais são negros, os diretores não precisaram colocar atores brancos nos papéis de grande destaque, como em alguns filmes, e conseguiram abordar temas que, na maioria das vezes, não são abordados pelo cinema.

A série nos apresenta à vida de Ezequiel "Books" Figuero (Zeke) e seus irmãos Dizzee, Boo-Boo e Ra-Ra, entretanto temos grande destaque ao personagem Shaolin Fantastic, um traficante DJ que se torna melhor amigo e líder do grupo "Get Down Brothers" e Mylene Cruz, uma jovem apaixonada por música disco, que sonha em ser uma grande cantora, e grande amor de Zeke.

"The Get Down" leva seus telespectadores à uma Nova York dos anos 1977/1978 e um dos assuntos que mais gosto abordados nela é justamente o sucesso dos caras que não tinham nada, viviam em uma região pobre, violenta e esquecida politicamente, mas dos seus sonhos e amor pela música, criaram uma cultura que tomou conta dos Estados Unidos e depois conquistou o mundo.

A intolerância religiosa também era presente. Jovens que possuíam grandes sonhos, como Mylene, eram impedidas de segui-los pois segundo sua religião, determinado gênero musical era "impróprio" ou na palavra de pastores "impuros". Se formos analisar, esse pensamento ainda existe e infelizmente não mudou muito nos dias de hoje. Acompanhado do machismo, mulheres ainda são vistas como vagabundas, entre inúmeras ofensas, por simplesmente escolher fazer o que amam, mas são sexualizadas a todo momento.

Os brancos não achavam que os negros fossem inteligentes o suficiente para conquistar um espaço nas universidades de grande nome e por morarem em um bairro marginalizado, logo já eram associados com traficantes de drogas. Essa foi e ainda é a realidade de muitos, não só nos EUA mas ao redor do mundo. É bacana a série apresentar esses fatos expondo ao máximo a inteligência do personagem principal, que compõe poemas incríveis, está em um grupo de hip-hop e ainda assim consegue uma bolsa na universidade de Yale: "Eu não sou só o Bronx, sou Manhattan também", diz Zeke em uma das passagens da série, demonstrando o amor pelos dois mundos completamente diferentes.

Em questão musical, se você gosta de R&B e uma boa "black music" não irá se decepcionar. A série é repleta  de referências: de Jackson Five à Bee Gees e sucessos como "September" da banda Earth, Wind & Fire, também marcaram presença. Nas cenas das apresentações dos rapazes fica difícil não se deixar levar com a presença de palco - ao sentir o bom e velho groove nas veias dá vontade de entrar na tela para curtir junto e nas cenas de música disco, do mulherão da porra, Mylene Cruz, foi impossível não querer levantar e rebolar. É um arranjo de gêneros musicais, no qual criam batidas diferenciadas sobre as canções e por incrível que pareça funciona muito bem.

Agora cabe a você decidir se vale a pena entrar nesse mundo maravilhoso do hip-hop, cheio de críticas sociais que "The Get Down" nos apresenta. Corre lá, abre o Netflix, faz uma pipoquinha e divirta-se muito! 

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Família é um negocio complicado. O mercado de trabalho também. Mas quando o capitalismo faz questão de juntar os dois, não tem livro de autoajuda ou artigo no LinkedIn que ajude. 

Existe uma fase da vida que você não tem certeza onde se encontra. Ela é pós-faculdade. Não consegue pagar as contas sozinho, não quer abraçar o capeta do capitalismo mesmo fazendo parte deste inferno. Não sabe se quer continuar estudando, nem que área quer estudar ou se quer se especializar em algum nicho do mercado. Tudo que você sabe é que agora é um profissional formado, com mais conhecimento que o senso comum, espera-se. É nessa época que você descobre como isso não vale nada. 

Cada site de busca de emprego é uma decepção diferente. Todos parecem procurar uma mão de obra minimante qualificada por um salário que mais parece um favor. O Empregador Bonzinho™ que está lhe dando uma grande oportunidade de aprender e de se inserir no mercado. Faz teu nome, eles dizem. 

Isso se chama estágio obrigatório, querido Empregador Bonzinho™. E sim, todos passamos por ele. 

Voltando à família e ao mercado. À esta soma temos o Empregador Bonzinho™. 

O Empregador Bonzinho™ reclama do profissional contratado. É fraco, desatento e que, mesmo formado, não traz os resultados que a empresa tanto sonhou ao bater o martelo e dizer "vamos gastar e contratá-lo".  Ao ser perguntado sobre o salário, o Empregador Bonzinho™ responde: 500 reais. 

Bom... Não sei se sequer precisa discorrer sobre quão revoltante é saber disso. 

Não sou um exímio em contas, mas não precisa de muito para entender que R$500,00 está bem abaixo do valor MÍNIMO estipulado por LEI e ajustado anualmente. Mais especificamente, R$437,00 a menos. Quase o dobro do valor recebido por este funcionário. 

Um profissional formado, mesmo que em universidade pública, gastou muito mais que R$500 ao longo de sua graduação, esperando viver dignamente depois de anos de dedicação e abdicação. Mas o que escutam dos grandes Empresários Bonzinhos™ é que não devem ser exigentes com o salário, o mercado não os conhece, não sejam pedantes, não é mesmo? Em vez disto, aceite esta grande generosidade em forma de emprego. Faz teu nome, mostre-me que és capaz de valer um salário mínimo um dia.

É possível esperar que um funcionário que recebe migalhas no lugar de um salário que cubra uma vida digna trabalhe de forma brilhante? Por mais que o Empregador Bonzinho™ esteja pagando, é certo ele esperar um serviço excepcional pagando tão pouco? É anti-ético um servidor fazer um trabalho meia-boca por não estar recebendo devidamente? Para todas estas perguntas eu só consigo pensar na frase "nós fingimos que trabalhamos e eles fingem que nos pagam."

E de quem é a culpa nisso tudo? Empresário Bonzinho™ que aproveita a insegurança dos recém-chegados para explorá-los ou dos que aceitam micharia por medo de não conseguirem algo melhor? Ou ainda, a culpa é de um sistema que te seduz a consumir mais, comprar mais, ser mais, se sobressair e por consequência querer ganhar mais? 





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Nota do blog


Eu não me sentia assim desde o primeiro episódio de My Mad Fat Diary. Todas aquelas emoções e identificações que acontecem quando você se depara com um produto midiático que não vê suas aflições e problemas da época de adolescente como fúteis e produz com, certa qualidade, tato que o público jovem também merece.

Depois de muita espera para os fãs do livro ou de muita curiosidade para aqueles que não leram, a Netflix liberou a primeira temporada de 13 Reasons Why na última sexta-feira (31). A série, produzida por Selena Gomez e Tom McCarthy, nos apresenta à Cley Jensen (Dylan Minnette) que recebe uma caixa com fitas gravadas por sua amiga/crush Hannah Baker (Katherine Langford) detalhando sua vida e os motivos que a levaram cometer suicídio. Essas fitas chegam até as mãos de Clay com instruções de ouvi-las e repassá-las ao próximo da lista. Alternando o ponto de vista entre os dois protagonista, a narrativa nos permite entender o porquê daqueles presentes na lista e como a menina se sentiu em relação a eles.

Ele tenta entender e ela tenta explicar. Talvez por isso, não temos um diagnósticos preciso sobre a saúde mental de Hannah, o que pode ser um ponto negativo. Sentimos todas as dúvidas de quem escuta as fitas e já não pode fazer mais nada e toda a dor de alguém que está sofrendo e não sabe o que fazer enquanto as grava. 

(cuidado que o texto contém spoilers)

A cada play dado, conhecemos a angústia que é ser uma adolescente tentando se encaixar e se encontrar. Conhecemos ainda mais como é ser mulher dentro de uma sociedade que, em pleno 2017, controla como ela deve existir, controla seu corpo e sua sexualidade.

Os problemas de Hannah começam quando Justin Foley tira uma foto da menina em um momento de descontração dos dois, mostra para os amigos e, fora do contexto, ela se espalha pela escola. O slut-shaming corre solto, a menina é julgada, isolada e vira piada entre todos os alunos. Então, depois com a lista feita por Alex sobre a aparência das meninas do colégio, todos passam a ter uma opinião sobre Hannah. A partir daí, a jovem perde sua humanidade perante os "colegas" e se torna um objeto que pode ser tocado e usado como e quando quiserem

Os acontecimentos na vida de Hannah continuam difundindo sua "reputação" e como ela foi construída, dando permissão para as pessoas continuarem a tratando como um objeto desumanizado e sexual. Reputação essa que não existiria se a menina não estivesse inserida em um sociedade que ainda vê a sexualidade feminina como um tabu e o corpo feminino como um objeto.  A garota vai se fechando e se sentindo diminuída.

Agora vamos praticar a empatia - tão difícil para algumas pessoas - e nos colocar no lugar de Hannah. Imagine o quão difícil deve ser lidar com tudo isso em uma época que estamos descobrindo nossos corpos, nossa sexualidade, construindo nossa identidade e tentando entender quem somos e qual nosso papel no mundo.


Hannah tem traumas acumulados, já se sente vazia e sozinha. Sente-se como um problema na vida daqueles ao seu redor, quando é violentada e estuprada por Bryce. Diante dos nossos olhos, em uma cena pesada e dolorosa de assistir, vemos Hannah perder o resquício de humanidade e vida que lhe resta. Ela perder o senso de si própria, sente-se envergonhada, violentada e morta. Hannah não consegue confiar em mais ninguém e enxergar na não-existência a única solução.

A menina descreve todos esses acontecimentos e sentimentos nas fitas e, ainda assim, é acusada de fazer tudo isso para chamar a atenção e tem sua verdade questionada. Quantas vítimas de abuso de qualquer tipo ou mulheres que tem sua intimidade violada são expostas, questionadas e julgadas? Quantas meninas e mulheres na situação de Hannah também tiraram a própria vida depois de um grande trauma? E quantos comentários nessas tristes notícias são publicados sem o menor pudor dizendo que a moça pediu por tudo isso? Mas, "por que uma garota morta mentiria?"


Muitas meninas e mulheres tem sua intimidade vazada ou são abusadas, violentadas e estupradas e não conseguem falar sobre ou denunciar por medo, vergonha e insegurança. Elas perdem a confiança no outro e no caso da série, perde a confiança no adulto que não leva seus problemas e agonias a sério. O que aconteceu com Hannah - e com Jessica - não é a exceção, não é raro. É corriqueiro e é ridicularizado em grupos de mensagem e redes sociais.

Diferente da protagonista, Jessicaa criou mecanismos de defesa para sobreviver como vítima de estupro, enquanto Hannah, depois de tudo que lhe aconteceu, não conseguiu fazer o mesmo. "Eu senti que já estava morta", ela descreve em uma de suas últimas fitas. E por isso, Hannah decidiu não permitir que ninguém mais a machucaria daquele jeito.

"Alex, Tayler, Courtney e Marcus... eles ajudaram a destruir minha reputação. Depois Zach e Ryan destruiram minha alegria, Bryce Walker destruiu minha alma"  Fita 7, lado A.
Se por um lado temos temas pesados e complexos, por outro, temo uma narrativa simples que se estendeu mais do que deveria da forma que foi construída. Afinal, nada mais lógico que 13 porquês - 13 capítulos, o que causa um desgaste na narrativa e deixa mais evidente os diversos problemas de roteiro presentes nela. Alguns personagens e arcos parecem estar ali apenas para preencher os 13 capítulos. Apesar disso, a série não nos poupa das cenas de estupro, violência e do suicídio. Seu papel é fazer refletir sobre nossas ações e palavras e como elas podem afetar com quem nos relacionamos. Não sabemos o que se passa com o outro e como tudo - padrões, expectativas, julgamentos e fofocas - pode ser bem mais pesado nos ombros de uma jovem mulher. É desesperadora, dolorida e pesada. Não está ali para fazer apologia ou romantizar o suicídio, mas também não está ali para discuti-lo. É uma grande faca de dois gumes.

13 Reasons why
Metacritic (77)  -
IMDb (9,1) - 
Rotten Tomatoes (95%) -

 


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Meninas, no vídeo de hoje vamos apresentar esse espaço. Tá bem, meninas?

Eu mantenho blogs ha mais tempo que alguns jovens que já perderam o bv existem neste mundo. Sem exagerar. De tempos em tempos, aquela vontade louca de escrever pra ninguém ler e trocar de layout a cada data comemorativa. Pelo menos era assim que a blogosfera feminina funcionava. E foi nela que aprendi meus dotes de criação e programação. Foi nela que fiz alguns grandes amigos e que fiquei famosa por menos tempo que o hype de Pokemon Go.

Mas vamos lá!

Nunca fui boa em escrever. O deficit de atenção atrapalha minha relação com a gramática, com as palavras e com qualquer coisa que precisa seguir uma certa ordem. Mas sempre gostei de escrever. O que é uma droga. Ideia sem estrutura não vai pra frente. Isso, somado ao total de zero disciplina para manter qualquer coisa que me exija comprometimento (o que nos leva de volta ao déficit de atenção) resultou em um total de 8 blogs (que eu me lembro) ao longo de 12 anos. 

Nunca dá certo, eu perco o interesse, começo empolgada e cheia de ideias e vou desanimando no caminho. Mesmo sem esperar uma visita ou comentário. E o mesmo acontece com minhas agendas, moleskines, diários e projetos em geral. 

Minha meta é conseguir chegar ao meu aniversário com pelo menos 5 textos escritos e publicados aqui. Mas a intenção é um por semana. 

Bom, oremus! Oremos para que eu não seja abduzida por ETs e despejada em terra pós-lavagem cerebral. Oremos para que um emprego apareça e não sugue todas as minhas energias vitais. Oremos para que meu notebook continue firme e forte comigo nos momentos difíceis. E oremos para que eu consiga escrever uma sentença correta gramaticalmente. 


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Carol

Carolina Dantas . Cabelos coloridos . Comunicóloga e feminista . O roteirista da minha vida não segue uma lógica. Deus ou o Diabo, não importa, mas ela é a própria ex machina.

carolinadsdantas@gmail.com

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- Scott Pilgrim Contra o Mundo: Vol. 3

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